Muitas vezes tido como “preguiça”, o excesso de sono na adolescência possui explicação científica.
É uma verdade universalmente conhecida que adolescentes dormem muito. E, diferentemente do que alguns adultos acreditam, o motivo por trás disso vai muito além da preguiça. Continue no texto para saber um pouco mais sobre sono na adolescência.
Por que adolescentes dormem tanto?
Não é incomum que pais de adolescentes se questionem se dormir muito é normal ou até mesmo os motivos que fazem com que, especialmente nesse momento da vida, a “preguiça” seja assim tão presente.
A verdade é que o eterno pedido por “mais 5 minutinhos” e essa aparente falta de vontade têm explicações fisiológicas. Mais do que rebeldias comportamentais, essas questões precisam ser debatidas levando em consideração o cérebro e desenvolvimento desses jovens.

VOCÊ SABIA QUE O EXCESSO DE SONOLÊNCIA EM ADOLESCENTES TEM UMA EXPLICAÇÃO FISIOLÓGICA?
Pensando nisso, a primeira coisa que precisamos ter em mente é que o sono não é uma atividade passiva, ele (e as suas fases) são essenciais para a organização da memória e das emoções. Além disso, nessa fase específica da vida ele é fundamental para a produção do hormônio do crescimento e ainda interfere no desenvolvimento puberal.
Exatamente por isso, o relógio biológico dos adolescentes fica atrasado entre cerca de 2 a 3 horas, trazendo como consequência a sensação de que seus corpos e mentes funcionam em um fuso horário diferente do considerado normal. Esse atraso acontece para que o organismo se “prepare” para a fase adulta, o que torna a “preguiça excessiva” uma consequência de modificações que ocorrem no sistema nervoso e também nos hormônios.
Dessa forma, o “sono ideal” na adolescência duraria cerca de 9 horas, algo praticamente impossível de se alcançar, especialmente se considerarmos que esse é um momento da vida provido de inúmeros estímulos, tarefas, atividades extracurriculares e festas. No livro Boa noite! Livre-se da insônia, a escritora e psicoterapeuta Barbara L. Heller afirma que:
Na adolescência é comum as escolhas de estilo de vida competirem com as necessidades fisiológicas.
Privação de sono na adolescência
Outra coisa que precisa ser levada em consideração é a diferença entre as horas deitadas e efetivamente as horas de sono na adolescência. Isso porque adolescentes (e mesmo adultos) costumam passar mais tempo na cama do que efetivamente dormindo.
E não é muito difícil imaginar quais são os grandes vilões nesse sentido. Aparelhos celulares e outros equipamentos eletrônicos que emitem luz azul são grandes companheiros de jovens nos momentos que antecedem o sono. O que, além de afetar os níveis de produção e secreção de melatonina, ainda contribuem para a Síndrome do atraso de fase, que caracteriza dormir e despertar mais tarde.
Matthew Walker em Por que dormimos: a nova ciência do sono e do sonho aponta a importância do dormir para um aprender mais eficaz. Além disso, ele ainda destaca os efeitos da privação do sono sobre a saúde mental de jovens:
Imposto por meio do horário de início das aulas tão cedo, esse estado de privação crônica de sono é especialmente preocupante considerando-se que a adolescência é a fase mais suscetível da vida no que se refere ao desenvolvimento de doenças mentais crônicas, como a depressão, a ansiedade, a esquizofrenia e a tendência ao suicídio.
Assim, se a média de sono de um adulto brasileiro já está abaixo da considerada ideal, a de um adolescente, especialmente considerando seu processo de desenvolvimento, é (ou deveria ser) motivo de preocupação.
Não bastasse isso, não é incomum que nessa fase da vida as interrupções do ciclo do sono sejam bastante frequentes. Notificações e outras interferências tecnológicas fazem com que o dormir seja interrompido diversas vezes ao longo da noite, o que prejudica a qualidade do sono.

NOTIFICAÇÕES COSTUMAM INTERROMPER AS NOITES NESSA FASE DA VIDA, O QUE PREJUDICA O SONO NA ADOLESCÊNCIA.
Nesse sentido, uma pesquisa desenvolvida pela UNIFESP com 531 estudantes entre 10 e 18 anos constatou que cerca de 39% dos entrevistados possuía um débito de sono maior do que duas horas e que aproximadamente 74% deles dormiam menos do que 8 horas por dia durante a semana, fatores que contribuem para a sonolência e os tornam sujeitos às inúmeras complicações causadas pela privação de sono.
Sono e educação
Pensando nas necessidades fisiológicas dos adolescentes, a Associação Brasileira do Sono lançou um manifesto recomendando ao Governo Brasileiro uma modificação no horário de início das aulas. Segundo eles:
Os horários escolares da maioria das escolas brasileiras são inadequados e causam uma restrição de sono nos estudantes com consequências negativas para a regulação emocional e o desempenho acadêmico.
Além disso, eles apontam que o conhecimento científico atual nos possibilita ter algumas certezas acerca do sono na adolescência:
Com essas questões em mente, a Associação Brasileira do Sono propõe, então, que o início das aulas para estudantes entre 13 e 17 anos ocorra preferencialmente a partir das 8:30h.
Como diminuir distúrbios do sono na adolescência?
Infelizmente, sabemos que não existe uma solução fácil para a problemática dos distúrbios do sono na adolescência, porém, é possível dar pequenos passos até a conquista de um “dormir” mais saudável nessa fase da vida.
Além do entendimento de que esse é um momento que exige mais tempo dormindo, da possibilidade de modificações nos horários de início das aulas e aplicações de provas, a higiene do sono, a busca por uma rotina mais saudável, uma alimentação e atividade física consistente ou mesmo evitar luz azul por pelo menos uma hora antes de dormir são modificações possíveis que podem evitar problemas imensos.

Porém, em casos de distúrbios crônicos ou outras doenças, destacamos a importância de procurar um diagnóstico e ajuda profissional.
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